segunda-feira, setembro 11, 2006
Amiga que é amiga se fode junto...Explicando melhor: eu, Ju, Chan e Bia nos metemos em uma das maiores roubadas dos últimos tempos... uma amiga de uma amiga da Chan está fazendo doutorado, baseada em uma tese louca. Mas insana meeeeesmo é a metodologia dela... não vou explicar a teoria toda, apenas a perte que nos coube... a pesquisa dela tem que ser feita em três regiões (próximas), com uma dupla de pessoas em cada uma. Em cada região, cada uma das duas pessoas deve carregar um trambolho (leve, porém desajeitado) que contém um aparelho de medição de temperatura e umidade do ar (o aparelho em si é menor do que um celular), ao longo de 35 quarteirões (distribuidos em um roteiro não muito bem pensado, em que você vai e volta a mesma rua, andando o dobro do que precisaria), parando por 30 segundos em frente a 100 casas. Duas vezes por dia.
O detalhe é que quando perguntaram se a gente topava fazer essa pesquisa, disseram que seria apenas ficar sentada em um mesmo lugar apertando um botão a cada x tempo... Mas eu passei meu feriado camelando debaixo do sol carregando aquele trambolho com a Ju... o lance era rir pra não chorar!
Pelo meno já acabou e nós sobrevivemos!!!
Ah, pelas contas, andamos algo em torno de 12Km por dia! As bolhas nos meus pés eram fenomenais!
Exercitei muito a minha criatividade pensando em um jeito de picaretear a pesquisa... se o lance era ter ou não uma árvore na frente da casa, bastava ter feito a primeira coleta certinha e ter anotado que casa tinha ou não, achar um lugar com uma casa com e uma sem, e ficar mudando de uma pra outra! Tá, tinham outras variáveis, como tamanho das árvores e posição do sol, não ia dar certo... aí comecei a fase e se: e se... a carga da caneta acabasse? e se... eu torcesse o pé e não pudesse mais andar? e se... chovesse? (isso não tinha como eu controlar, mas torci muito) e se... eu ficasse com dor de barriga? e se... o trambolho quebrasse (mas o aparelho ficasse inteiro, afinal ele custa uns 300 dólares) e se... caísse uma árvore, ou tivesse um acidente e uma das ruas principais fosse interditada? e se... a gente dissesse que não vai mais fazer pra ver se ela paga mais? e se... a polícia parasse a gente e pedisse autorização? e se...
Outro exercício de criatividade foi pensar o que responder pros curiosos que perguntavam o que estávamos fazendo, o que era aquilo... minha melhor opção era dizer que era pra medir o barulho da região e mandar a pessoa gritar no meio da rua. Só não tive coragem de fazer isso porque no bairro só tinha velhinho!!! Velho e cachorro... a cena mais rara de se ver eram pessoas mais novas levando crianças e não cachorros para passear. Ah, mas tinha uma senhorinha muito simpática, que ficava bem no meio do nosso percurso, mas queria sempre que a gente parasse lá pra tomar café. Naquele calor todo no último dia aceitamos água só, na cara de pau mesmo... mas sabe como é, mora sozinha, carente, quis conversar... ficamos 20 minutos lá com ela... mas tomamos água!

